segunda-feira, 4 de maio de 2020

O desaparecimento da defunta Eloá - Parte I


Breve folhetim em dois emocionantes capítulos. Recomendado aos leitores e leitoras que não fazem beicinho diante do politicamente incorreto..

                                    Capítulo I
         Pedro Caveirinha era magro que só. Ninguém sabia como aquele um metro e oitenta de esqueleto parava em pé. Uns diziam que aquela magreza era hereditária, outros porque nosso amigo fumava como um caipora, duas carteiras diárias. Já para uns, aquela escassez de carnes e músculos era falta de alimentação. Já eu, achava que a finura de Pedro era de padecimento. Caveirinha sofreu como sovaco de aleijado. Pois é isso, meus amigos, minhas amigas, Pedro Caveirinha morava com a sogra. Morar com sogra não é fácil. Mas se a sogra fosse Dona Eloá, aí que a coisa pegava. Deus quando distribuiu as maldades, ela entrou pelo menos duas vezes na fila e encheu seu bornal com todas as malvadezas que conseguiu pegar. Era ruim de fazer inveja ao tinhoso.
         Já Pedro Caveirinha não fazia mal a um percevejo. Não reclamava nem de dor de dente. No escritório  em que trabalhava, sempre que alguém tinha uma oportunidade dava um “migué” e empurrava o trabalho para  Caveirinha. Era um tal de Caveirinha me faz um favor aqui, me faz um obséquio ali, uma gentileza acolá e Pedro fazia  de tudo para estar bem com todos. Não discutia política, religião ou futebol para não se indispor. Do futebol dizia que era torcedor só da Seleção. Na política, sempre em cima do muro e pulava fora das conversas sobre o assunto, Quanto às religiões, se o convidassem para um casamento, batizado ou mesmo uma missa, Caveirinha ia. Ouvia com muito fervor a homilia e com a empolgação de um beato rezava os Pais Nossos e as Aves Marias. Se o caso fosse ter que ir a um templo evangélico, lá estava Caveirinha aceitando o convite, ouvindo a palavra e pagando o dízimo. Há quem diga que teria visto nosso Pedro Caveirinha batendo um tambor no terreiro do Pai Vicente. Dizem.
Supõe-se que jamais discutiu, ofendeu, maltratou, foi indelicado com quem quer que seja. Talvez isso tenha encantado Neusinha Tanajura. Porque grana não pode ter sido, pois nosso amigo ganhava uma merreca. Mocetão já fincado nos trinta, ainda morava com os pais antes de se casar. Agora, o que de Neuzinha encantou o nosso Pedro, quem está lendo esses rabiscos já desconfia. Foi aquilo mesmo a que alcunha de Neusinha faz referência. Pedro se encantou com a retaguarda de sua eleita. Mas, para encurtar a história, casaram e foram morar com a sogra, Dona Heloá.
Ali Pedro Caveirinha percorreu todos os nove círculos de Dante, mas foi se estabelecer no último: o inferno. Quem fazia essa alegação era o próprio, pois saibam, era homem de alguma leitura. Sofreu o coitado. O melhor tratamento que recebia da sogra era “aquele um”. Esse o melhor. Havia outros: pé rapado, imprestável, zé-ninguém e outros do mesmo jaez. Mas já dizem, não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe.  Um belo dia Dona Eloá foi para São Paulo (moravam em Jacareí) visitar uma irmã e ao chegar à rodoviária paulistana, Deus a chamou para uma conversa. Dali para o IML. As autoridades procuraram os parentes encontraram Neusina. Vai daqui, vai dali, era preciso trazer o corpo. E todo mundo sabe como essas coisas são complicadas. Para se chegar ao atestado de óbito o percurso é longo e pedregoso. E só com esse documento que liberam o defunto. Neusinha autoritária como a mãe, encarregou o marido da empreitada.
_ Você vai trazer mãe. Pode ir se virando.
 Então Caveirinha, foi se virando. Falou com o Doutor Pitombeira, advogado com muito tempo de toga, amigo seu, bom  de sinuca e de conversa. Conheciam-se lá do Taco de Ouro.
_ Trazer a defunta de São Paulo para Jacareí é complicado. Funerária daqui não pode trazer defunto de lá e funerária de lá não pode trazer defunto até aqui – alertou Doutor Pitombeira.
_ E como é que a gente faz pra trazer a jararaca? Por mim cremava aquela peste lá mesmo.
_ Vamos ao IML em São Paulo. Pede para Neusinha ir vendo uma funerária aqui. Deixa tudo nos conformes que nós vamos trazer o corpo. Tem dinheiro aí?
_ Tenho. Bora no meu maverique. Vamos ver se a gente traz aquela coisa antes que apodreça.
E foram, no maverique de Caveirinha
Não perca na próxima quarta-feira, nesta mesma coluna, onde o autor, um folgazão, irá proporcionar momentos de tensão, expectativa, com um final emocionante e inesperado

Desaparecimento da defunda Eloá - Parte II


Constrangedor final deste folhetim onde uma defunta desaparece sem deixar vestígios deixando o genro, seu desafeto, numa embaraçosa situação.

         Como foi visto no capítulo primeiro, Dona Eloá, sogra de Pedro Caveirinha, bateu com as dez lá na rodoviária da capital paulista. Caveirinha e seu causídico, doutor Pitombeira, tomaram rumo do necrotério que fica ali nas redondezas do Hospital das Clínicas em terras piratiningas, para resolver o imbróglio.
         A bordo do possante maverique vê oito, modelo 77, de propriedade de Caveirinha, entraram na Rodovia Presidente Dutra não dava ainda três da tarde.
         _ Já pensou no jeito pra tirar a velha de lá?
         _ Relaxa Caveirinha, mas vamos ter que molhar a mão de uns e outros. Sabe como são essas coisas. Trouxe o arame?
         _O quê?
         _ O arame! A grana, o capim, o caraminguá, o cascalho, o cobre, o metal, o numerário, o tutu, a verba, o pecúlio, o di-nhei-ro! Entendeu, Caveirinha?
         _Entendi, mas por mim deixava a cascavel por lá. Que enterrassem a peçonhenta como indigente. Nem a filha vai chorar essa defunta.
         _ Não fala assim da sua sogra, Caveirinha. Afinal, é ou era, mãe de sua esposa. Deixa disso, meu amigo.
         _ Pitombeira, meu camarada. Vou dizer uma coisa pra você. E que fique entre nós. Não matei essa velha porque não tive coragem. Do jeito que sou azarado, alguém iria descobrir, por melhor que eu planejasse o serviço. Mas essa surucucu me aporrinhou a vida. Maldita a hora que me apaixonei por Neusinha. Depois que resolvermos essa parada, quero tomar uma com você. É para comemorar com uma bem geladinha.
         _ Não sabia que Dona Eloá era desse jeito. Você devia dar motivos, não dava?
         _ Eu? Do trabalho pra casa, da casa pro trabalho. Só sábado de manhã que jogo minha sinuquinha e tomo minha cerveja. O problema é que sou um duro, ganho mal. Até esse maverique quem pagava as prestações era a velha. Pode ver a documentação. Pelo menos esse presente, ela deixou. Morreu, as prestações morrem juntas. Não é assim?
         Doutor Pitombeira achou que era assim e conversa vai, conversa vem, chegaram ao IML. Final de expediente. Tinha alguém ali no guichê das informações que já mandou os dois procurarem o Doutor Fulano de Tal que era o médico legista.
         _ Meus amigos, sexta-feira, fim de expediente. Vão ter que esperar o médico que vem me substituir para dar a certidão. Sem ela nada feito. O corpo fica na geladeira e aí só na segunda-feira.
 Pitombeira chamou o doutor para um particular e nem dez depois o documento estava na mão. E foi assim, Pitombeira molhando a mão de um, a carteira de outro o bolso de outrem.  E não é que estava para dar 20 horas e Dona Eloá, enrolada num lençol com a marca do Hospital das Clínicas, já descansava no porta-malas do maverique? Antes que saíssem, um sargento gordo que coordenou o resgate advertiu:
_ Se pegarem vocês na estrada e citarem o meu nome, eu mato os dois. Tá entendido? Digam que deram um jeito de roubar o corpo e pronto - eles confirmaram que “tava” entendido.
Na estrada Caveirinha com riso de orelha a orelha.
_ Ficou caro, mas valeu a pena. Neusinha deve ter ajeitado tudo, amanhã enterro a jararacuçu. Nem acredito  - estavam quase chegando em Jacareí – vamos comer alguma coisa ali no Frango Assado que faço questão de pagar a cerveja. Hoje é festa.
Pararam, comeram filé na chapa e tomaram umas três garrafas. Quando saíram, cadê o maverique? Tinham roubado e com a sogra dentro. Pitombeiras foi logo alertando:
_Vamos até a próxima delegacia e dar parte. Temos que dizer a verdade e seja o que Deus quiser.
E Deus quis do seguinte jeito:
         Prestaram queixa, explicaram que a defunta fora com o carro, etc, etc, etc...Receberam BO e ainda ouviram  reclamação do delegado.
_ Era só o que me faltava. Roubo de carro acontece sempre. Roubo de defunta é a primeira ocorrência que faço na vida.  Mas aguardem aqui – os dois aguardaram umas duas horas pensando num jeito de contar para Neusinha.
Findas essas duas horas, vem a novidade.
_Pegaram uns caras que foram assaltar uma padaria. Estavam com o seu maverique, mas não tinha defunta nenhuma no porta-malas.
Já faz um tempinho que Neusinha anda tomando umas e outras. Quando bebe um goró a mais, pega no pé de Caveirinha.
_Cadê minha mãe, filho duma égua?

Desafio 4


Solução do Desafio - 3


Exercício Resolvido (2º ano)


Respostas dos exercícios das páginas 268/269

1- V – V – F* – V  - F
*Enunciado impreciso (conter é uma relação que não se não se deve usar entre conjunto e elemento)

2- F – F – F – V – F

3- V – V – V – 3

4-  O formato do dado é o da figura abaixo e o diagrama ao lado mostra como esse dado irá rolar no percurso indicado.

A face “colada no plano  é a face 6 – Resposta E

5- E

6- a) V     b) V    c) F (reta é um subconjunto do plano e não elemento)
d) F (podem ser coincidentes)  e) F     f) V       g) V       h) F      i) F    j) V

7- a) V     b) F (podem ser coincidentes)    c) V        d) F     e) F

8- a) F    b) V    c) V    d) V       e) V
OBS: Determinar garante a unicidade. Se diz que determina isso garante que é único.

9- F – F – V – F – F      

10- A ( cuidado com a palavra “podem”)

12- F – V – F – F – F     

13- C