Pedro Cabacinha, filho de Pedro Cabaça,
teve padrinhos tão importantes como nenhum outro brasileiro o teve. Nada mais e
nada menos do que aquele casal que habitou a Casa Branca em Washington, o
trigésimo quinto presidente dos Estados Unidos e sua digníssima primeira dama.
Padrinhos de batismo, é bom que saibam. Mas isso é toda uma história.
Comecemos, então.
Pedro Cabaça era proprietário, por direito de herança, de uma sitioca nos arredores de Cabaceiras no Cariri paraibano. Daí talvez a alcunha. Nos seus áridos e poucos hectares de chão pedregoso criava seus bodes, cultivava sua macaxeira, semeava milho e feijão de corda no dia de São José. Água pouca, só de cacimba em tempos de bom inverno ou quando o caminhão do governo passava por lá. Vida dura de sertanejo, futuro de pouca luz como a chama frágil de seu candeeiro. À noitinha ligava o radinho de pilha que lhe trazia novidades de terras distantes. Ouvia a “Voz do Brasil”, a novela das oito e depois para as redes todos da casa que o batente era pesado no dia seguinte.
Na lida, ele, a mulher e as meninas. Meninas? Sim, Pedro Cabaça teve um rosário de maricotas, sete filhas, até que na oitava prenhês de Dona Socorro veio um machinho de três quilos e trezentos gramas com a saúde de um bezerrinho bem nutrido. Nem sei se é de minha competência descrever a alegria do nosso “caba” que prometeu matar até mais de um cabrito, se fosse preciso, para o batizado do caçula que iria ter o nome do pai na pia e nos papéis. É de onde surge o Pedrinho para os de casa e o Cabacinha para os de fora.
Mas batizado de menino que fecha a fila só de mariazinhas merece padrinho de respeito. O padre? O prefeito? O deputado Fulano de Tal? Que nada, Pedro queria para abençoar o rebento, o presidente. O Sr João Goulart? Não, Jango era coisa pouca. O padrinho tinha de ser o presidente dos Estados Unidos. Só isso.
Tomado de muita determinação, João Cabaça foi a Campina Grande, na agência dos Correios, ele que era homem de algumas letras, endereçou à Casa Branca, Washington DC, o seguinte telegrama:Convido o Sr Presidente dos EUA John Kennedy PT Sua patroa Dona Jaqueline PT. Batizarem meu filho Pedro PT. Sítio Esperança PT Cabaceiras PT Paraíba PT. Data a combinar.
Os funcionários que tiveram acesso à postagem, caíram na gargalhada, mas por dever de ofício enviaram a mensagem. Para quem duvida da eficiência dos correios daqui e dos de lá, não é que a mensagem chegou às mãos do destinatário? Este receoso que fosse uma armadilha de Fidel, convocou a CIA, esta o Pentágono até que depois de severa investigação com ajuda da polícia daqui, o bonitão serelepe lá da Casa Branca tomou ciência de que o convite era de um brasileiro lá das brenhas do sertão paraibano, que só podia estar delirando pela ousadia. Mas já que estávamos na época da tal “Aliança para o Progresso”, achou que não devia desconsiderar o convite. Convocou seu embaixador em Brasília, este por sua vez foi atrás do Cônsul-Geral, este outro já chamou o Vice-cônsul, que por sua vez requisitou a presença do Agente Consular, que chamou sua secretária e foram descendo na hierarquia até que chegaram ao Senhor Bernardino, um dos motoristas da embaixada norte americana, um mulato bem aprumado de quase dois metros de altura. Ele e sua consorte Dona Catarina, foram convocados para representar o presidente da mais poderosa nação do planeta no batizado de Pedro Cabacinha
Um gentil funcionário da representação diplomática norte americana esteve em Cabaceiras, no Sítio Esperança e comunicou a Pedro Cabaça que o presidente estava ocupado com muitas questões para evitar uma Terceira Guerra Mundial (Pedro nem sabia que houvera outras), mas que aceitara tão honroso convite e em não podendo vir, enviaria um representante. Foi marcada a data: 26 de outubro, um sábado. Não era bem o que Pedro queria, mas...Corria o ano de 1963.
Na hora e data combinadas, a Matriz Nossa Senhora da Conceição estava apinhada de gente quando uma limousine preta com duas bandeirolas americanas no capô, despejou Seu Bernardino e Dona Catarina, aliás muito elegantes, na porta da Igreja para a cerimônia. Pedro matou os cabritos e deu festa com sanfona, doce de mamão verde e muita cachaça, conforme prometera.
Aconteceu que no dia 22 do mês seguinte, Kennedy seria assassinado. O radinho de pilha trouxe a notícia. Pedro Cabaça emudeceu. Passou dias sem se alimentar direito. Até que Dona Socorro resolveu chamar o padre para uns aconselhamentos. O pároco falou das fatalidades, que o céu espera por homens bons, etc, etc, etc...Até que Pedro Cabaça se justificou:
_ Sei disso Seu Padre. Compadre Kennedy já se foi. Que Deus o tenha. Estou mesmo é muito preocupado com a comadre Jaqueline – e deixou cair duas lágrimas. Poucas, mas sinceras.
Pedro Cabaça era proprietário, por direito de herança, de uma sitioca nos arredores de Cabaceiras no Cariri paraibano. Daí talvez a alcunha. Nos seus áridos e poucos hectares de chão pedregoso criava seus bodes, cultivava sua macaxeira, semeava milho e feijão de corda no dia de São José. Água pouca, só de cacimba em tempos de bom inverno ou quando o caminhão do governo passava por lá. Vida dura de sertanejo, futuro de pouca luz como a chama frágil de seu candeeiro. À noitinha ligava o radinho de pilha que lhe trazia novidades de terras distantes. Ouvia a “Voz do Brasil”, a novela das oito e depois para as redes todos da casa que o batente era pesado no dia seguinte.
Na lida, ele, a mulher e as meninas. Meninas? Sim, Pedro Cabaça teve um rosário de maricotas, sete filhas, até que na oitava prenhês de Dona Socorro veio um machinho de três quilos e trezentos gramas com a saúde de um bezerrinho bem nutrido. Nem sei se é de minha competência descrever a alegria do nosso “caba” que prometeu matar até mais de um cabrito, se fosse preciso, para o batizado do caçula que iria ter o nome do pai na pia e nos papéis. É de onde surge o Pedrinho para os de casa e o Cabacinha para os de fora.
Mas batizado de menino que fecha a fila só de mariazinhas merece padrinho de respeito. O padre? O prefeito? O deputado Fulano de Tal? Que nada, Pedro queria para abençoar o rebento, o presidente. O Sr João Goulart? Não, Jango era coisa pouca. O padrinho tinha de ser o presidente dos Estados Unidos. Só isso.
Tomado de muita determinação, João Cabaça foi a Campina Grande, na agência dos Correios, ele que era homem de algumas letras, endereçou à Casa Branca, Washington DC, o seguinte telegrama:Convido o Sr Presidente dos EUA John Kennedy PT Sua patroa Dona Jaqueline PT. Batizarem meu filho Pedro PT. Sítio Esperança PT Cabaceiras PT Paraíba PT. Data a combinar.
Os funcionários que tiveram acesso à postagem, caíram na gargalhada, mas por dever de ofício enviaram a mensagem. Para quem duvida da eficiência dos correios daqui e dos de lá, não é que a mensagem chegou às mãos do destinatário? Este receoso que fosse uma armadilha de Fidel, convocou a CIA, esta o Pentágono até que depois de severa investigação com ajuda da polícia daqui, o bonitão serelepe lá da Casa Branca tomou ciência de que o convite era de um brasileiro lá das brenhas do sertão paraibano, que só podia estar delirando pela ousadia. Mas já que estávamos na época da tal “Aliança para o Progresso”, achou que não devia desconsiderar o convite. Convocou seu embaixador em Brasília, este por sua vez foi atrás do Cônsul-Geral, este outro já chamou o Vice-cônsul, que por sua vez requisitou a presença do Agente Consular, que chamou sua secretária e foram descendo na hierarquia até que chegaram ao Senhor Bernardino, um dos motoristas da embaixada norte americana, um mulato bem aprumado de quase dois metros de altura. Ele e sua consorte Dona Catarina, foram convocados para representar o presidente da mais poderosa nação do planeta no batizado de Pedro Cabacinha
Um gentil funcionário da representação diplomática norte americana esteve em Cabaceiras, no Sítio Esperança e comunicou a Pedro Cabaça que o presidente estava ocupado com muitas questões para evitar uma Terceira Guerra Mundial (Pedro nem sabia que houvera outras), mas que aceitara tão honroso convite e em não podendo vir, enviaria um representante. Foi marcada a data: 26 de outubro, um sábado. Não era bem o que Pedro queria, mas...Corria o ano de 1963.
Na hora e data combinadas, a Matriz Nossa Senhora da Conceição estava apinhada de gente quando uma limousine preta com duas bandeirolas americanas no capô, despejou Seu Bernardino e Dona Catarina, aliás muito elegantes, na porta da Igreja para a cerimônia. Pedro matou os cabritos e deu festa com sanfona, doce de mamão verde e muita cachaça, conforme prometera.
Aconteceu que no dia 22 do mês seguinte, Kennedy seria assassinado. O radinho de pilha trouxe a notícia. Pedro Cabaça emudeceu. Passou dias sem se alimentar direito. Até que Dona Socorro resolveu chamar o padre para uns aconselhamentos. O pároco falou das fatalidades, que o céu espera por homens bons, etc, etc, etc...Até que Pedro Cabaça se justificou:
_ Sei disso Seu Padre. Compadre Kennedy já se foi. Que Deus o tenha. Estou mesmo é muito preocupado com a comadre Jaqueline – e deixou cair duas lágrimas. Poucas, mas sinceras.
Maravilhoso Paiva! Parabéns!!!
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